Natal

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J. M. de Barros Dias

Vem aí o Natal. O que significa isto, num tempo de tendeiros e de gente obcecada em ter coisas, comprar coisas, ser coisas? Provavelmente, para a maioria das pessoas, o Natal é um tempo… meramente litúrgico. Equivale, portanto, àquilo que a Coca-Cola, o McDonald’s e outros conglomerados econômicos ditam, com critérios mercadológicos. Afinal de contas, hoje em dia, o Natal é, para muitos, fruir por uns dias, do muito comer e do bom viver.

Contudo, o espírito do Natal não é nada disso. Esta é, queiramos ou não, uma festa religiosa. Uma festa cristã, quero eu dizer. Não é, contudo, a festa patrimonialista de uma qualquer igreja, ou de um templo determinado. O Natal, seja ele aquilo que nós quisermos que ele seja, começa por ser a recordação viva de um Menino que nasceu, longe de casa, lá, onde hoje é a Cisjordânia. Terra de exílios, de dor e de sofrimento, desde sempre, e para sempre, me parece.

O Natal, se for algo, é a celebração do órfão, da viúva e do estrangeiro. Ele é a vivência do encontro com aqueles que menos são, menos têm e menos podem. Quero eu dizer que, no presépio, no espírito de cada um de nós, não devem reinar imperadores, bispos, doutores, até. Nada disso. Devemos habitar nosso coração com a exclusão dos sem-abrigo, dos miseráveis, daqueles que não têm, sequer, um teto digno para os abrigar.

Eu acho que, civilizacionalmente, num determinado momento de nossas vidas, acabámos por nos enganar no caminho. O Natal é, para quem o quiser entender em sua plenitude, um mapa que nos indica, em primeiro lugar, o regresso a nós próprios e, também, ao sentido humano da vida. É este, igualmente, o sentido do mistério da Cruz. Sair do neutro, do es gibt para, na alegria do testemunho, ser nos outros e com os outros. Devemos dar. Dar não tudo aquilo que temos – que isso é gesto fácil – mas dar, de nós, de cada um de nós, tudo aquilo que somos.

Feliz Natal aos homens de boa vontade!

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