A Ligação de Tareck El Aissami, Vice-Presidente da Venezuela, ao Hezbollah

Tareck El Aissami

Marli Barros Dias

O vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, é um membro do regime chavista que ascendeu rapidamente ao poder e que, hoje, é suspeito de ligação com o Hezbollah – grupo insurgente libanês. Aos 42 anos, o político venezuelano de origem síria já assumiu vários cargos. Aos 29 anos ele foi chefe da Missão Identidade, o organismo responsável por emitir o cartão de identidade dos venezuelanos, depois elegeu-se Deputado, tornou-se vice-ministro da Segurança Cidadã e, logo em seguida, ministro do Interior e da Justiça, cargo que exerceu entre os anos de 2008 e 2012. Em janeiro deste ano foi nomeado vice-presidente da Venezuela, por Nicolás Maduro. Apesar de El Aissami ser considerado o chavista mais repudiado pela oposição, ele é um caso de sucesso na vida pública, mas atualmente está sendo confrontado com acusações que o associam ao terrorismo internacional, sendo considerado o principal elo de ligação ao Hezbollah na América Latina. Segundo estudos, há uma rede financeira entre o chavismo e o extremismo islâmico e o vice-presidente venezuelano encontra-se relacionado com este episódio.

Há informações que asseguram que o vínculo com o Hezbollah é facilitado pela origem da família de El Aissami. O fato de ser filho de imigrantes da Síria, tendo o pai e o tio de El Aissami trabalhado para o Partido Ba’ath sírio, tem favorecido as relações entre a Venezuela, o Irã e o país de seus antepassados. Os críticos do vice-presidente venezuelano atribuem-lhe a responsabilidade por uma vasta rede política que transformou o país num “centro internacional de drogas e a base do terrorismo islamita na América Latina”. Um estudo realizado pelo Centro para uma Sociedade Livre e Segura (SFS) confirma que aproximadamente 173 pessoas, originárias do Oriente Médio, foram identificadas portando passaportes e documentos de identidade venezuelana. Os dados recolhidos pela SFS apontam que a Venezuela se transformou em trampolim para os indivíduos ligados aos insurgentes do Hezbollah entrarem nos EUA. O diretor executivo da SFS, Joseph Humire, afirmou que “os indivíduos eram do Irã, do Iraque, da Síria, da Jordânia e do Líbano. Mas, a maioria era do Irã, do Líbano e da Síria. Setenta por cento vieram desses países e tinham algum tipo de vínculo com o Hezbollah”. Neste contexto, vale ressaltar que o passaporte venezuelano é aceite sem visto em mais de 130 países, compreendendo 26 países da União Europeia, o que facilita a circulação por diferentes partes do mundo por estas pessoas.

Outro ator que aparece como elemento fundamental para a manutenção da rede entre o narcotráfico e o terrorismo islâmico é Cuba. O ex-assessor de Segurança da Venezuela, que fez parte do processo de modernização do sistema de identidade daquele país, Anthony Daquin, declarou que o Governo de Raul Castro é o responsável por “gerenciar os sistemas de documentação da Venezuela”. Conforme explicou Daquin, tudo é feito sem nenhum problema uma vez que os cubanos possuem equipamentos eficazes, “incluindo folhas de policarbonato, assinatura eletrônica que entra em passaportes e certificados, criptografia, que são aqueles que permitem o chip poder ser lido nos aeroportos”. A trama com o Hezbollah, envolvendo El Aissami, não está restrita aos territórios venezuelano e cubano mas, também, à Argentina. Neste sentido, cabe ressaltar o assassinato do promotor argentino, Natalio Alberto Nisman, em 2015, no decurso das investigações sobre o atentado terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), ocorrido em 1994. Durante o processo investigatório, Nisman apurou as conexões entre os radicais islâmicos estabelecidos na Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) com a Argentina e o Irã, o que levantou a suspeita de a sua morte estar associada ao caso em que ele vinha trabalhando. A morte de Nisman ainda não foi totalmente esclarecida. No entanto, há informações de que um acordo foi estabelecido entre a Venezuela e o Irã estando El Aissami como um dos principais operadores que fez o “elo entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Hezbollah”.

Os acontecimentos demonstram a abrangência da aliança entre os membros do Governo chavista com integrantes do Hezbollah e com o Irã. A revista Veja denunciou, em março de 2015, o fato de o adido comercial da Embaixada da Venezuela em Damasco, o libanês Ghazi Nasr al-Din, que posteriormente entrou para a lista do FBI, como sendo o “preposto de El Aissami” e o responsável pela emissão de passaportes venezuelanos para “encobrir a identidade de terroristas que viajavam pelo mundo” de entre os quais se inclui o clérigo iraniano Moshen Rabbani, apontado por Nisman como sendo o responsável por levar a cabo o atentado contra a AMIA. Rabbani, em posse desse passaporte, viajou “pelo menos três vezes” ao Brasil. Todos os fatos convergem para uma teia do narcotráfico e do terrorismo islamita radical consolidada a partir da Venezuela, durante o mandato de Hugo Chávez e que chega à atualidade com vigor, na medida em que todos os indícios confluem para o endosso do vice-presidente da Venezuela, que é o sucessor mais próximo à Presidência da República daquele país.

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Imagem:

Tareck El Aissami.

 

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